A quarentena tirou o joalheiro Antonio Bernardo da função de professor em um curso de bijuteria — e ele está sentindo falta. “Estava sendo uma experiência maravilhosa”, afirma. Antonio, de 73 anos, não planejou entrar para o ramo do ensino.

O curso faz parte da prestação obrigatória de serviços sociais durante dois anos no Instituto Saúde Criança Renascer, em Botafogo, que junto com uma multa de 10 milhões de reais (que vem sendo paga em parcelas) compõem a pena por envolvimento da sua joalheria no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro do ex-governador Sergio Cabral.

Prestes a terminar de cumprir a punição, iniciada em 2018, após fechar acordo de delação premiada, ele se prepara para o recomeço das aulas, agora em versão virtual, e planeja continuar lecionando enquanto, em paralelo, prepara a filha mais velha, Barbara, de 35 anos, para assumir o comando da empresa. Foi dela a ideia de lançar uma linha de joias mais delicadas, sucesso de vendas no e-commerce da grife. “Barbara é muito talentosa e criativa”, derrete-se o pai-professor.