Há mais de 15 anos, o Brasil passou a ser considerado autossuficiente em petróleo, o que significa dizer que a produção do recurso supera o consumo. Por dia, o país fabrica 3 milhões de barris, mas compra do exterior 170 mil barris por dia em derivados do petróleo. Por que ainda importamos? A resposta está relacionada às características do produto extraído no Brasil, à estrutura de refinarias no país e outros aspectos técnicos, segundo especialistas ouvidos por UOL.

Petróleo brasileiro é difícil de refinar Boa parte das refinarias brasileiras foi construída na década de 1970, quando o petróleo era importado. Porém, o produto importado era do tipo leve. Com a descoberta e a extração de petróleo na Bacia de Campos, também nessa época, as refinarias precisaram passar por um processo de adaptação para refinar o produto brasileiro, mais pesado.

Com o pré-sal (extração em águas profundas), o petróleo leve também começou a ser obtido no Brasil, com maior valor agregado e com características diferentes. Sem maquinário específico nas refinarias para esse tipo de combustível, ele passou a ser exportado, segundo o especialista em regulação de petróleo e biocombustível da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Krongnon Regueira. Diariamente, mais de 1 milhão de barris são enviados para o exterior.

"Ao produzir petróleo leve e colocá-lo em uma refinaria que foi projetada para processar petróleo pesado, você está desperdiçando recursos, não otimizando. Eu sempre gosto de dar esse exemplo. É como pegar um vinho nobre e transformar em sagu [sobremesa com mandioca e vinho]. Você estaria desperdiçando, porque o sagu deveria ser feito com vinho barato", afirma.

Em busca da mistura perfeita de derivados de petróleo O país acaba importando derivados do petróleo para compor o blend, como é chamada a mistura do petróleo brasileiro com outros tipos e que possibilita o refino, explica a professora e assessora estratégica da FGV Energia, Fernanda Delgado.

"A gente importa quantidade pequena do mercado internacional porque existem qualidades físico-químicos diferentes de petróleo. Importamos para compor o blend, uma mistura, que atende ao nosso parque de refino." A importação de componentes do petróleo não ocorre apenas no Brasil, declara a diretora do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), Valéria Lima. "Mesmo outros países que são exportadores também importam alguns tipos para compor melhor a mistura ao parque de refino, como os Estados Unidos e a Arábia Saudita."



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